Como criei o quiosque europeu diário com ChatGPT Work
O Quiosque europeu pesquisa, verifica, organiza e arquiva diariamente as primeiras páginas da imprensa portuguesa e europeia.
Resumo
O Quiosque Europeu é uma ferramenta criada com apoio de IA para consultar as capas da imprensa portuguesa e europeia. Todos os dias, procura as edições impressas disponíveis, confirma as datas, lê as manchetes, guarda as imagens das capas e compara os temas que dominam diferentes países.
O projeto não tem intenção comercial e não é monetizado. Foi desenvolvido como uma experiência pessoal para testar as capacidades do ChatGPT Work com os modelos 6.1 sol e 6.0 astra, através da criação de uma ferramenta com pesquisa, verificação editorial, arquivo e publicação diária.
A IA permite executar o processo com uma escala difícil de manter manualmente. Mas a qualidade da ferramenta Depende sobretudo das regras editoriais, fontes, mecanismos de verificação e decisão de identificar claramente tudo o que não é possível confirmar.
O resultado pode ser consultado grátis em:
Um projeto sem intenção comercial
Criei o Quiosque Europeu para testar as capacidades do ChatGPT Work com os modelos 6.1 sol e 6.0 astra. Quis explorar como este ambiente poderia transformar um briefing editorial exigente numa ferramenta funcional, desde a definição dos requisitos até ao desenvolvimento da interface, à organização do arquivo e à preparação da atualização diária.
O teste abrangeu tarefas diferentes: pesquisar fontes, ler imagens, verificar datas, estruturar informação, escrever código e corrigir problemas identificados ao longo do desenvolvimento. A intenção foi perceber como estas capacidades se articulam num projeto que exige continuidade entre várias etapas.
O projeto não tem intenção comercial e não é monetizado. A disponibilização gratuita permite partilhar o resultado desta experiência e mostrar uma aplicação prática da Inteligência Artificial. O objetivo foi experimentar, aprender e testar os limites do ChatGPT Work num processo que exige critérios editoriais e informação verificável.
A primeira página é uma escolha editorial
As primeiras páginas dos jornais continuam a ser uma das formas mais rápidas de perceber o que cada redação considera importante.
Uma capa estabelece uma hierarquia e decide o que merece a manchete, o que fica remetido para um destaque secundário e o que não aparece.
Quando comparamos jornais de vários países, começamos também a perceber diferenças entre agendas nacionais.
Um tema pode dominar a imprensa francesa e ter pouca expressão em Portugal ou uma decisão europeia pode ser enquadrada como uma questão económica num país e como um problema político noutro. Existem ainda assuntos com grande destaque na imprensa nacional que podem passar despercebidos nos restantes mercados.
O problema é que consultar diariamente dezenas de jornais exige (bastante) tempo. As capas não são publicadas todas à mesma hora, alguns títulos não têm edição em determinados dias e certas publicações disponibilizam apenas uma imagem de baixa resolução. Outras colocam o acesso atrás de uma assinatura ou paywall.
Os agregadores também podem continuar a apresentar a edição anterior, mesmo quando a data já mudou.
Foi a partir deste problema que comecei a desenvolver o Quiosque Europeu.
O ponto de partida não foi a tecnologia
Antes de pensar na programação ou na automação, defini as regras editoriais.
A primeira decisão foi que nenhuma edição poderia ser apresentada como sendo do dia sem confirmação da respetiva data.
Uma notícia publicada nessa manhã no site do jornal não seria suficiente e a homepage também não. Uma revista de imprensa ou uma listagem genérica de um agregador não poderia, isoladamente, confirmar a edição impressa.
Era necessário encontrar a primeira página, verificar a data e confirmar que a imagem correspondia à manchete apresentada.
Defini ainda outra regra. Sempre que a informação não pudesse ser confirmada, a ferramenta deve dizê-lo explicitamente.
Expressões como “Não verificado”, “Capa indisponível” ou “Informação não confirmada devido a conflito entre fontes” não representam uma falha do sistema. Elas são o funcionamento correto de um sistema que não deve inventar informação para preencher lacunas.
Como a IA ajudou a transformar a ideia numa ferramenta
A Inteligência Artificial participou em várias camadas do projeto.
A primeira foi a transformação da ideia num processo detalhado. Foi necessário definir o que pesquisar, em que ordem, que fontes aceitar, como resolver discrepâncias e em que situações uma publicação deveria ser excluída da análise.
A segunda camada foi o desenvolvimento da própria ferramenta:, ou seja, a interface, o arquivo, os filtros, a navegação por países, a ampliação das capas e a página onde cada edição fica guardada.
A terceira camada é a execução diária do processo editorial.
Em cada atualização, a ferramenta foi preparada para:
- confirmar a data, o dia da semana e a hora de Lisboa;
- determinar que publicações devem ter edição nessa data;
- verificar primeiro a imprensa portuguesa;
- procurar as capas nos sites oficiais dos jornais;
- consultar fontes complementares quando necessário;
- confirmar a correspondência entre a data, a imagem e a manchete;
- guardar as imagens por data;
- traduzir as manchetes estrangeiras para português de Portugal;
- identificar os temas dominantes na imprensa europeia;
- comparar a agenda portuguesa com a dos restantes países;
- conservar as edições anteriores e as respetivas revisões.
A criação da ferramenta não resultou de um único pedido bem escrito. Foi um processo iterativo.
Defini requisitos, testei o comportamento, encontrei problemas, acrescentei regras e voltei a testar. Grande parte do trabalho consistiu precisamente em antecipar as situações em que a IA poderia produzir uma resposta plausível, mas insuficientemente confirmada.
Portugal vem primeiro
O Quiosque Europeu dedica uma atenção prioritária à imprensa portuguesa.
Generalistas, jornais económicos, desportivos, semanários e newsmagazines são verificados antes de começar a análise dos restantes países europeus.
Esta prioridade é visível tanto na cobertura como no nível de detalhe apresentado.
Para cada publicação portuguesa, a ferramenta procura confirmar separadamente:
- a existência de uma edição nessa data;
- a data impressa na capa;
- a manchete principal;
- os destaques secundários;
- o site oficial;
- a ligação para a primeira página;
- a fonte utilizada na verificação.
A ferramenta distingue ainda os jornais impressos das publicações nativas digitais.
Títulos como o Observador ou o ECO podem ser incluídos numa secção de destaques digitais, mas nunca são apresentados como jornais com uma primeira página impressa. O leitor é informado de que está perante um destaque da homepage e não uma capa.
Porque as imagens das capas são obrigatórias
Durante o desenvolvimento, tornou-se evidente que não bastava apresentar a manchete e uma ligação externa.
A imagem da capa é parte essencial da informação.
Permite confirmar a data, observar a hierarquia editorial e perceber a relação entre a manchete, a fotografia principal e os restantes destaques.
Por isso, uma publicação só pode receber o estatuto de confirmada quando existe uma imagem verificável e guardada no arquivo da respetiva edição.
As capas podem ser ampliadas dentro da ferramenta. As imagens ficam organizadas por data, juntamente com as manchetes, as fontes e a nota metodológica.
Quando não existe uma imagem verificável, a publicação é assinalada como indisponível ou em conflito. Não entra no Radar Europeu, na comparação entre Portugal e a Europa nem na seleção das principais manchetes.
A ferramenta não utiliza uma capa antiga para preencher o espaço de uma edição em falta.
A diferença entre encontrar e verificar
Um motor de pesquisa consegue encontrar rapidamente referências a uma notícia. Mas encontrar uma notícia não significa confirmar a primeira página de um jornal.
A manchete de uma capa não deve ser reconstruída a partir de artigos relacionados. Também não deve ser deduzida com base no tema que domina a homepage.
Sempre que a manchete só está presente na imagem, a ferramenta precisa de ler essa imagem. Se o texto não tiver legibilidade suficiente, o resultado deve ficar marcado como “Manchete não verificada”.
Quando existem dúvidas sobre a data, a imagem ou a correspondência entre fontes, o processo prevê uma verificação cruzada.
A preferência é dada às páginas oficiais dos jornais e aos respetivos quiosques digitais. Agregadores especializados podem complementar a pesquisa, mas não devem substituir automaticamente uma confirmação oficial.
Esta disciplina é particularmente importante porque a capacidade de produzir texto convincente pode esconder incertezas. Uma frase bem escrita continua a poder estar errada.
Da coleção de capas à análise editorial
O Quiosque Europeu não se limita a reunir imagens.
Depois da verificação, a ferramenta identifica os temas que aparecem em vários países e analisa as diferenças de enquadramento editorial.
O Radar da Imprensa Europeia mostra quantos mercados destacam cada assunto e onde esse destaque é mais expressivo.
A secção “Portugal vs. Europa” procura responder a perguntas como:
- Que temas recebem mais atenção em Portugal?
- Que assuntos europeus têm menor expressão nas capas portuguesas?
- Que manchetes são específicas da agenda nacional?
- Que temas atravessam simultaneamente vários países?
- Como muda o enquadramento editorial do mesmo acontecimento?
A ferramenta seleciona ainda dez manchetes europeias com base no impacto político, económico, social e internacional.
O critério não é o sensacionalismo. Uma manchete só pode entrar nesta seleção quando a edição, a imagem e o texto foram confirmados.
Um arquivo, não apenas uma página diária
A ferramenta foi pensada para conservar todas as edições anteriores.
O arquivo permite regressar a uma data específica e observar como a agenda mediática europeia evoluiu. Também mantém as revisões feitas a cada edição, o que ajuda a acompanhar correções, novas capas ou alterações na informação disponível.
Esta dimensão transforma o Quiosque numa ferramenta que pode ser útil a jornalistas, investigadores, estudantes, profissionais de comunicação e leitores interessados na imprensa europeia.
Ao longo do tempo, o arquivo poderá permitir novas formas de análise: frequência de temas, diferenças entre países, evolução do destaque atribuído a determinados assuntos ou comparação entre linhas editoriais.
O que a IA faz e o que não deve fingir que faz
A IA é particularmente útil para organizar fontes, ler informação visível, traduzir manchetes, encontrar padrões e estruturar uma grande quantidade de dados.
Também permite manter uma rotina diária sem obrigar uma pessoa a repetir manualmente todo o processo.
Mas existem limites.
Uma capa pode estar desfocada. Um site pode impedir o acesso. Uma publicação pode atrasar a atualização. Duas fontes podem apresentar datas diferentes. Um jornal pode simplesmente não publicar nesse dia.
Nestas situações, o sistema não deve escolher a resposta que parece mais provável.
A IA ajuda a executar o processo. As regras determinam aquilo que pode ser publicado.
É esta combinação entre capacidade tecnológica e critério editorial que torna a ferramenta útil.
Uma ferramenta associada ao IA Hoje
O Quiosque Europeu passa a estar disponível no meu site e associado ao IA Hoje, projeto do qual sou cofundador.
Esta associação faz sentido porque a ferramenta mostra uma aplicação prática da Inteligência Artificial.
Não se trata apenas de gerar um texto ou resumir um conjunto de notícias. Trata-se de executar um processo composto por pesquisa, leitura de imagens, verificação de fontes, tradução, análise comparativa, arquivo e publicação.
A IA funciona aqui como infraestrutura de trabalho.
O endereço personalizado permite também consultar e partilhar a ferramenta sem depender do endereço técnico utilizado durante o desenvolvimento.
Consultar o Quiosque Europeu
A ferramenta está disponível gratuitamente e pode ser partilhada através do seguinte endereço:
Acede ao Quiosque digital aqui
Dentro da página poderás consultar as edições mais recentes, ampliar as capas, filtrar os jornais por país e aceder ao arquivo das edições anteriores.
Cada edição termina com uma nota metodológica que identifica as fontes consultadas, os títulos sem edição, as capas indisponíveis, as manchetes não verificadas e as limitações encontradas durante a pesquisa.