Caso prático · AQIA
Criar apps com IA: o caso da Plataforma de Progresso AQIA
A AQIA - academia de IA transformou dados de formação numa plataforma de progresso para acompanhar aprendizagem, níveis, IAps e mentoria. É um exemplo prático de como criar apps com IA pode começar por dados existentes, uma necessidade concreta e uma boa definição da experiência do utilizador.
O ponto de partida: dados de formação já existentes
A AQIA já tinha dados sobre a atividade dos seus membros: séries iniciadas, cursos concluídos, horas validadas, taxa de concretização, último acesso e estado da subscrição.
Esses dados eram úteis para a gestão interna da Academia, mas ainda não estavam transformados numa experiência clara para quem aprende, nem numa leitura simples do progresso global da formação.
A pergunta central foi esta: como transformar dados de formação numa plataforma útil para a Academia e para os seus membros?
A resposta foi a criação da Plataforma de Progresso AQIA.
O desafio do e-learning assíncrono
A AQIA trabalha com formação online assíncrona através do Hub de Formação em Inteligência Artificial AQIA, um espaço de aprendizagem contínua com cursos, séries práticas, desafios e conteúdos em crescimento.
Este modelo tem uma vantagem clara: permite aprender ao ritmo de cada pessoa, sem depender de horários fixos. Mas também traz um desafio conhecido no e-learning assíncrono: muitas pessoas começam cursos e deixam-nos a meio.
Isso não acontece necessariamente por falta de interesse. Muitas vezes acontece porque não existe acompanhamento, porque o progresso não é visível ou porque faltam incentivos claros para continuar.
A Plataforma de Progresso AQIA nasce precisamente para responder a esse problema. O objetivo é tornar o percurso mais visível, dar feedback ao membro e criar pequenos sinais de evolução que ajudem a manter a consistência.
A lógica é simples:
se a formação online assíncrona dá autonomia, a plataforma de progresso ajuda a dar orientação, contexto e motivação ao longo do percurso.
Uma visão pública da evolução da Academia
A primeira camada da plataforma é pública. Qualquer pessoa pode aceder e ver uma visão geral da atividade da Academia.
Esta área mostra indicadores agregados, como a taxa de finalização de cursos, o objetivo da Academia, o número de cursos iniciados, os cursos concluídos e as horas de formação representadas por esse percurso.
É uma forma simples de mostrar que o progresso não é apenas individual. Também existe uma dimensão coletiva da aprendizagem.
O papel da IA antes da app
Criar apps com IA não começa necessariamente no ecrã da aplicação. Neste projeto, antes de existir uma interface, foi necessário pensar o sistema.
Era preciso definir que dados eram relevantes, que informação poderia ser pública, que informação deveria ser individual, que ações deveriam contar para progresso, que níveis fariam sentido e como garantir que cada pessoa via apenas os seus próprios dados.
Nesse processo, a IA funcionou como copiloto de organização, análise e prototipagem. Ajudou a estruturar possibilidades, transformar dados brutos em lógica de progresso, organizar requisitos e acelerar a passagem da ideia para uma solução funcional.
A criação da aplicação foi depois apoiada pelo Google AI Studio, usado como ambiente de prototipagem para transformar a lógica do programa numa primeira versão funcional da app.
A decisão final continuou a ser humana.
A IA ajudou a organizar e a prototipar. As regras, os níveis, os pontos e as vantagens foram definidos pela Academia.
Dos dados aos IAps
A partir dos dados de formação, a AQIA criou os IAps, os pontos de progresso da Academia.
A lógica é simples:
- +10 IAps quando o membro inicia uma nova série de formação;
- +100 IAps quando conclui com sucesso um curso completo.
Esta regra distingue dois momentos importantes: iniciar uma série mostra participação; concluir uma formação mostra consistência.
Os pontos não existem apenas para criar uma contagem. Servem para tornar o percurso mais visível e dar feedback ao membro sobre a sua evolução.
Níveis, mentoria e comunidade
Com os IAps definidos, a AQIA estruturou o Programa de Progresso em quatro níveis:
- N1. Explorador de IA, a partir de 10 IAps;
- N2. Praticante de IA, a partir de 150 IAps;
- N3. Especialista de IA, a partir de 750 IAps;
- N4. Estratega de IA, a partir de 1500 IAps.
Uma das primeiras vantagens associadas à plataforma é a mentoria individual de 30 minutos, desbloqueada aos 550 IAps. Na prática, este valor corresponde a 5 séries completas: 10 IAps por iniciar cada série e 100 IAps por concluir cada série.
O nível máximo, N4. Estratega de IA, tem uma ambição mais ampla: empoderar a comunidade AQIA. A ideia é reconhecer os membros que dedicam tempo, acumulam horas de formação e demonstram consistência no seu percurso de aprendizagem.
Com esse nível de maturidade, estes membros podem vir a criar conteúdos, desenvolver materiais de formação e ajudar outras pessoas a aprender. No futuro, poderão também ser convidados a colaborar com a Academia no desenho, validação e monetização de novos cursos ou recursos formativos.
Ou seja, a progressão não serve apenas para atribuir um estatuto. Pode transformar membros mais avançados em criadores, formadores e participantes ativos no crescimento da própria comunidade.
A visão do membro já logado
A segunda camada da plataforma é individual. Depois de entrar na área de progresso, o membro consulta apenas a informação associada ao seu percurso.
Nesta vista, consegue ver o seu nível atual, o saldo de IAps, o progresso nas séries e o estado da mentoria. A experiência foi pensada para responder a três perguntas simples: onde estou, o que já fiz e o que posso desbloquear a seguir.
A plataforma não mostra a complexidade dos dados originais. Mostra o essencial para quem aprende.
Da ideia à app
Depois de definidos os dados, os IAps, os níveis e as vantagens, foi necessário transformar o programa numa aplicação.
A IA ajudou a estruturar requisitos, campos necessários, regras de cálculo, mensagens para o utilizador, critérios de privacidade e organização visual da interface.
Com apoio do Google AI Studio, a estrutura foi convertida num protótipo funcional. A app não precisa de usar IA generativa no funcionamento diário. A IA foi usada sobretudo na criação, organização e prototipagem da solução.
Depois de criada, a aplicação funciona com base em dados, regras e cálculos definidos pela AQIA.
O que este caso mostra sobre criar apps com IA
O caso da AQIA mostra que criar apps com IA não tem de começar por uma grande equipa técnica nem por um projeto pesado de desenvolvimento.
Pode começar com dados existentes, uma necessidade concreta e uma boa definição do problema.
Neste caso, o processo passou por cinco etapas: identificar dados de formação, interpretar esses dados do ponto de vista da Academia e do aluno, definir uma lógica de progresso, transformar essa lógica num programa e criar uma app simples para consulta pública e individual.
O ponto essencial é este: criar apps com IA não significa começar pela tecnologia. Significa começar pelo problema, pelos dados e pela experiência que se quer criar.
Ver a Plataforma de Progresso AQIA
A Plataforma de Progresso AQIA mostra como dados de formação podem ser transformados numa experiência mais clara para a Academia e para os seus membros.
A Inteligência Artificial foi usada como apoio à organização, estruturação e prototipagem. O valor final está na forma como os dados passam a servir quem aprende.