O meu tutor será a IA? Sim, mas não só.
Na cerimónia de inauguração da última Web Summit, o Ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, manifestou a ambição de garantir um tutor de Inteligência Artificial (IA) a cada aluno em Portugal. Ou seja, cada estudante terá o seu próprio sistema baseado em IA, projetado para ensinar, orientar e apoiar a sua aprendizagem de forma personalizada e interativa. Em vias de aterrar definitivamente (e oficialmente) nas salas de aula em Portugal, a IA tem vindo a intrometer-se, cada vez mais, no nosso dia-a-dia e é inegável que tenha chegado para ficar e marcar gerações.
No mundo do trabalho, a IA já não é novidade para quase ninguém. O uso das suas ferramentas e potencialidades garante uma série de benefícios práticos já sobejamente conhecidos (poupança de tempo, liberdade para tarefas mais criativas ou mesmo brainstorming) havendo já modelos e aplicativos adaptados às necessidades e desafios de empresas dos mais variados setores. Neste contexto, os recursos humanos são uma das áreas a quem a IA mais tem alterado os paradigmas.
Importa, por isso, debruçarmo-nos sobre a influência que a IA terá nos modelos de Learning & Development (L&D) de cada organização para automatizar e aprimorar a formação e o desenvolvimento dos profissionais. Desde logo porque, à partida, com estas ferramentas, os modelos de L&D poderão tornar-se muito mais ágeis num dos seus mais importantes momentos, o onboarding. Através da IA, este momento verdadeiramente definidor do sucesso de um profissional numa organização poderá ser mais eficiente na transmissão mais rápida e eficaz de todas as competências relevantes para o desempenho de uma função.
Como? Imaginemos um programa de formação com capacidade de adaptação constante e que, em função dos inputs que recebe de cada utilizador, é capaz de mudar os seus modelos de "ensino" à medida do estilo e ritmo de aprendizagem de cada profissional, potenciando a melhor apreensão de conhecimentos possível.
Ferramentas desta natureza podem parecer algo futuristas, mas não são. Por exemplo, a plataforma de "Learning Management System" (LMS) / e-learning, WorkRamp, uma solução "tudo em um" para formação de colaboradores, onboarding, certificações, formação e desenvolvimento de competências permite, de forma flexível e através da criação de um contexto de gamificação envolvente, gerar conteúdos de formação, distribuí-los, acompanhar progresso, gerir diferentes públicos (desde colaboradores a parceiros) e integrar tudo isto noutras ferramentas da empresa.
Apesar disso, embora a IA possa cuidar de muitos aspetos afetos ao desenvolvimento de conteúdo, o elemento humano continua a ser essencial. O desafio passa por garantir que os profissionais de L&D atuem cada vez mais como auditores, preenchendo lacunas entre as tecnologias avançadas e necessidades específicas de cada profissional. Ou seja, garantir uma dinâmica de aprendizagem tangível sem comprometer a qualidade ou o contexto.
Com a evolução da IA, o papel dos profissionais de L&D transforma necessariamente. Se a IA se encarrega da eficiência e personalização em escala, serão as pessoas a manter o monopólio da estratégia, empatia, cultura organizacional e ética. Mais do que operadores burocráticos, seremos arquitetos estratégicos e catalisadores de mudança. Por isso, sim: a IA será o tutor num futuro híbrido em que os papéis desempenhados pelas pessoas nunca ficarão obsoletos, mas serão constantemente redefinidos.