Como está a IA a moldar novas carreiras e a transformar o futuro do mercado de trabalho

A evolução da Inteligência Artificial está a reconfigurar funções, a abrir novas áreas profissionais e a alterar a forma como trabalhamos.

A introdução da IA em diferentes sectores não elimina funções de forma linear. Redistribui tarefas, cria novas necessidades e exige competências diferentes. Esta transição cruza tecnologia, gestão, serviços, educação e saúde.

Entre 2025 e 2030, 22 por cento dos empregos atuais poderão sofrer alterações, segundo o Future of Jobs Report 2025.

Novas oportunidades associadas à IA

A procura aumenta em áreas como ciência de dados, aprendizagem automática, análise de Big Data, energias renováveis, desenvolvimento de software e funções especializadas em ética, governação e integração tecnológica. Estas áreas surgem não apenas em empresas tecnológicas, mas em serviços, saúde, educação, logística e indústria.

A IA também amplia capacidades humanas. Melhora diagnósticos, personaliza percursos educativos, acelera operações e permite novas abordagens criativas e analíticas. Em simultâneo, continuam a crescer profissões essenciais como funções agrícolas, logística, cuidado social e ensino superior.

São igualmente criadas funções emergentes em automação robótica, sistemas jurídicos assistidos por IA e modelos de aprendizagem adaptativa.

Segundo o EY European AI Barometer 2025 , 56 por cento das organizações europeias relatam ganhos de eficiência ou redução de custos graças ao uso de IA. Em Portugal, um estudo conjunto da Nova SBE e CIP indica que 67 por cento do tempo dedicado a tarefas laborais poderá ser automatizado.

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A IA irá substituir os empregos existentes?

Enquanto a IA está a automatizar algumas tarefas, também está a criar oportunidades que necessitam de uma abordagem humana distinta. O Future of Jobs Report 2025 prevê que quase um quarto dos postos de trabalho no mundo será diferente em 2027, mas isto não significa necessariamente eliminação de empregos.

Empregos que requerem julgamento complexo, empatia e criatividade estão a evoluir, com a IA a servir mais como ferramenta de apoio. Sectores como o atendimento ao cliente já mostram esta transição. A IA trata tarefas rotineiras e repetitivas, libertando as pessoas para situações que exigem maior sensibilidade e interpretação contextual.

João Bernardo Duarte, investigador da Universidade Nova de Lisboa, explica que há características humanas que as máquinas não conseguem reproduzir. A capacidade de estabelecer empatia, interpretar sinais emocionais e decidir em cenários ambíguos continua profundamente humana. Neste enquadramento, profissões que dependem de contacto direto, criatividade aplicada ou intervenção emocional apresentam menor exposição à automação. É o que se verifica em áreas como gestão, turismo, enfermagem, fisioterapia, educação, artes, justiça e apoio social, segundo um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos .

44 por cento dos trabalhadores afirma ter aumentado a produtividade graças à IA, segundo o EY European AI Barometer 2025 . Há, no entanto, diferença de perceção. Cerca de 57 por cento dos gestores nota ganhos de produtividade, mas apenas 35 por cento dos trabalhadores não executivos confirma esse efeito. Os empregos em maior declínio continuam concentrados em funções administrativas, como operadores de dados, caixas, serviços postais, operadores bancários e assistentes administrativos. Com a IA generativa, surgem também sinais de declínio em algumas áreas de trabalho de conhecimento, como design gráfico e secretariado jurídico.

Neste episódio do podcast IA Hoje, Pedro Esteves entrevista André F. Costa para explorar a importância da inteligência artificial generativa e o seu impacto no trabalho.

A conversa aborda formas práticas de começar a usar IA Generativa, os riscos a considerar e a necessidade de garantir uma utilização responsável e acessível.

Como é que as empresas estão a adaptar-se a estas mudanças impulsionadas pela IA?

A integração da IA nos processos empresariais está a criar ambientes de trabalho mais eficientes e produtivos. As lacunas de competências continuam a ser o maior obstáculo. Cerca de 63 por cento dos empregadores identifica-as como o principal desafio à transformação do negócio, segundo o Future of Jobs Report 2025 .

As empresas mais avançadas estão a reforçar os seus programas de formação e reconversão profissional. O objetivo é preparar equipas para novas funções, atualizar competências digitais e garantir que a organização acompanha a evolução tecnológica. De acordo com o Fórum Económico Mundial, 85 por cento das empresas pretende dar prioridade ao desenvolvimento interno de competências, 70 por cento espera recrutar pessoas com novos perfis e 50 por cento planeia realocar colaboradores de funções em declínio para funções em crescimento.

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Num mercado em rápida mudança, trabalhadores e organizações precisam de acompanhar esta evolução. O pensamento analítico mantém-se como competência central para cerca de 70 por cento das empresas. Seguem-se resiliência, flexibilidade e liderança. Entre as áreas que mais crescem destacam-se IA e Big Data, redes e cibersegurança, literacia tecnológica, pensamento criativo, curiosidade e aprendizagem contínua, além de competências ligadas à sustentabilidade e gestão ambiental.

39 por cento das competências atuais dos trabalhadores poderão transformar-se ou tornar-se obsoletas entre 2025 e 2030, segundo o Fórum Económico Mundial . Num cenário de 100 pessoas, 59 necessitam de formação até 2030. Entre elas, 29 podem manter-se no mesmo posto após requalificação, 19 podem ser requalificadas e transferidas para outra função e 11 correm risco de perder empregabilidade se não receberem formação adequada.

Para medir o impacto real da IA no negócio, as empresas precisam de modernizar os seus sistemas de acompanhamento. A avaliação rigorosa exige métricas claras e painéis de controlo capazes de monitorizar ganhos de produtividade, poupança de custos e outros indicadores-chave em tempo real.

Quais são os desafios apresentados pela IA no local de trabalho?

A ética da IA destaca-se como um dos maiores desafios enfrentados pelas organizações. As empresas necessitam de garantir que os sistemas automatizados seguem princípios de justiça, transparência e responsabilidade. A falta de clareza sobre como os modelos tomam decisões pode originar desconfiança e criar riscos reputacionais.

A proteção e a segurança dos dados são outro ponto crítico. À medida que a IA permite processar quantidades crescentes de informação sensível, aumenta a necessidade de estruturas robustas para prevenir acessos indevidos, usos abusivos e fugas de informação.

A criação de regulamentações claras e atualizadas é essencial para assegurar uma integração segura da IA em contexto laboral. As organizações devem adotar políticas internas e práticas de governança que definam limites, responsabilidades e requisitos mínimos de avaliação de risco.

Apenas 52 por cento dos trabalhadores acredita que o seu empregador possui um quadro ético claro para orientar o uso de tecnologias de IA, segundo o EY European AI Barometer 2025 . Este dado mostra a urgência de reforçar a transparência, a comunicação interna e os mecanismos de supervisão.

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